1º página do diário


Sem saber por onde começar a falar, hoje decido começar a escrever sobre... sobre coisas e cenas como eu lhes chamo.

Mas uma coisa é certa, o intuito é escrever sem medos e começar a dar nomes às coisas e cenas que consomem o meu ser.

Vamos lá?

Hoje é dia da mulher, que por onde quer que se passe há um frase a empoderar as mulheres, quase em tom de gozo por vezes, a querer lembrar a todos que elas existem. A questão aqui é que elas existem, mas parecem que não sabem... tanto elas, como eles.

Hoje recebi uma flor. Olhei para ela pensei... "mas porquê é que estou a receber uma flor?"
Não queria ser valorizada como Mulher que sou, e que sei que sou. Hoje não tinha vontade de ser vista nem reconhecida como tal.
Preferia estar no meu ninho enrolada numa manta em modo vegetal a devorar uma série, só mesmo para eu não pensar no porquê de me sentir assim.

Hoje eu não tinha vontade de ser lembrada, gostava até ser esquecida para assim poder desaparecer sem rasto.
Gostava de deixar de ouvir "mãe" por uns segundos, talvez até mais. Se calhar até gostava de eu esquecer que sou mãe para sentir um pouco de leveza.
Poder não sentir deveria ser escolha, como quem carrega num botão...

Hoje foi dia de sentir conforto no fundo do poço. De sentir revolta por ser mulher e odiar sê-lo! Odiar ser amada por quem não mereço. E odiar não ser adorada por quem gostaria que me desse valor e oportunidade.
Já faz tempo suficiente que procuro uma oportunidade de mudar de vida, de voltar a fazer algo por com gosto e paixão. Gostava de voltar a poder fazer coisas e cenas sem pensar se o dinheiro chega até ao final do mês. 
Gostava de voltar a sentir a leveza da despreocupação e conforto que a independência trás. Não estou a falar de questões de dinheiro, mas de liberdade que consigo ter por não sentir obrigações, ou pelo menos tantas.

Hoje escrevo a primeira página do diário, que espero que torne a vida mais leve...

Quest...



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